quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Carmen, o tempo e o amor num parágrafo


A ópera CARMEN, de Bizet, é o conflito entre as seguintes três perspectivas acerca do tempo e do AMOR: 1. o tempo é devir (T¹, T², T³...), logo, o AMOR ETERNO não é possível. T² impossibilita qualquer enunciado feito em T¹, T³ impossibilita qualquer enunciado feito em T²... Podemos, entretanto, ter um amorzinho (perspectiva POVO / PLATÉIA / Toureador); 2. o tempo é devir (T¹, T², T³...), logo, o “AMOR é o pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar”, há AMOR no próprio instante, mas, então, é preciso amar T² e trair T¹, para tanto, amar T³ e trair T², para tanto, e, assim, sucessivamente, até a morte, a fidelidade é uma violência ao tempo (perspectiva CARMEN ou perspectiva da PUTA EM SI), 3. o tempo é MESMO (T), logo, o AMOR é ETERNO (perspectiva Don José), ou há uma fidelidade à própria eternidade ou, bem, morremos, porque nada que não seja ETERNO vale a pena de ser vivido. As perspectivas 2 (Carmen) e 3 (Don José) se erguem para além da perspectiva 1 (POVO / PLATÉIA): eles ficam improvisando com o AMOR (pássaro rebelde X eterno). Tal improvisação implica MORTE: i.e., a perspectiva 3 (Don José) mata a 2 (Carmen) na frente da perspectiva 1. O AMOR ETERNO não pode tolerar o AMOR / PÁSSARO REBELDE. Na perspectiva da eternidade, o tempo é T ou não há o tempo ou ele é circular, ele não é T¹, T², T³. Logo, o pássaro rebelde precisa morrer. Carmen não pode amar cada 1, 2, 3... Ela precisaria amar o T ou atemporalmente. Mas Carmen não pode amar assim: ela é o pássaro rebelde. Logo, o pássaro rebelde precisa morrer.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um Poste

Tem pessoas que vem e vao

Eu nao sou feliz em nenhuma cidade. Cidades sao cidades – nos nos perguntamos se essa frase tem sentido.

Eu-cidade nao sou feliz. EU quero muitas coisas :
Uma delas é você me amar.

Uma delas é você que vem

Uma delas é você que fica.

Tem muitas coisas que me querem, quando eu falo sozinho... Uma coisinha francesa me quer.

Ela tem muitas ruas e ruas. E muitas. Ela tem, ela tem. ELA TEM.

Ontem, eu falei com DEUS. Eu pedi uma cidade feliz. A LUZ, quem me deu foi um padre. Um padre, que so tem uma rua, e nao foi tao legal com o meu amigo muçulmano quanto foi comigo. Eu sou semi-catolico – ninguem sabe o que isso quer dizer.

Padres, acreditam que eu sou catolico e me dao velas, quer dizer, LUZ. Eu deixei minha LUZ por ai querendo uma cidade feliz. Ou outra LUZ.


Amor pra voces

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

I love you, Yoko.


domingo, 29 de novembro de 2009

Escritos da Fisiologia - O útero

estrutura vermelha molhada musculatura vascularizada e continuamos a entrar estrutura vermelha molhada musculatura vascularizada e continuamos a entrar

- Como é estranhamente bom estar aqui!

estrutura vermelha molhada musculatura vascularizada e continuamos a entrar estrutura vermelha molhada musculatura vascularizada e continuamos a entrar

Contrações, contrações nos empurram para fora.

- Me deixa ficar, me deixa ficar!

estrutura vermelha molhada musculatura vascularizada nos reconhece como corpo estranho.

- Se ao menos eu virasse um câncer, me deixa ficar!

A exposição é: um grande corpo humano, podemos entrar em todas as cavidades, explorar todos orifícios - em que estruturas queres entrar?

Partes do endométrico começam a descamar nas nossas cabeças.
- Ahhh

A cada mês, as pessoas são expulsas violentamente do útero.
- Eu me segurei no peritônio! Me deixe ficar, eu não quero viver!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Nada como... Beatles...

1:01 da manhã de sexta-feira, 27 de Novembro.

Ao som de Beatles [While My Guitar Gently Weeps]. Não precisei comer hoje, o dia todo. Na verdade, eu não consegui comer. Antes do post "A deformada família Lennon" sair no Amor F.C., eu já estava prevendo ele. Foi como um sonho. Um sonho sério.

Sonho: Eu era AUTOR. Moreira era meu estagiário. Ele fazia omeletes para mim. Omeletes de Ego. Eu os comia com vontade, porque meu ego era pouco para o que eu era. Eu era mais, eu era o SOL. De repente, nada daquilo que era meu sonho: era real. Era um meio-poema orkut. Eu não queria acordar...

Acordei do sonho suando. A realidade era: Moreira era o SOL, ele poderia ter EGO - e como tinha -, Paul McCartney era superior a John Lennon. Blá. Eu era ATOR, não poderia ter EGO.

Eu estava puto. Fui para o computador, direto para o Amor. Não perdi tempo, comecei a escrever loucamente. Meu post falava que eu era ATOR/AUTOR/DIRETOR. Eu era a LUA. Não, eu não era a LUA. Apaguei tudo.

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Amanhã eu vou prestar mais atenção nos textos do SOL. Vou tentar copiá-lo, tentar virar AUTOR de verdade. Vou parar de ironizá-lo.

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Adormeci pela tarde. Sonhei de novo. Confesso que o sonho pós-almoço foi legalzinho. Nele, eu estava conversando com Moreira no bar da Garcia. Zé estava no banheiro - fazia mais de dez horas. Eu falava pra ele que ser AUTOR não é melhor que ser ATOR. Falei pra ele que todas as mulheres queriam dar para os ATORES, e não para os AUTORES. Ele se convenceu da verdade. Disse que ser SOL não era suficiente. No sonho, que era, por sinal, bem real, falei que ser AUTOR é estado de espírito, mas ser ATOR é mais. Ser ATOR não é obedecer ao DIRETOR ou ao AUTOR; ser ATOR é interpretar, é resgatar, é melhorar - ou piorar -, é FAZER A AÇÃO. Falei, também, que ser AUTOR e DIRETOR exigia um certo EGO, mas ser ATOR exigia TODO O EGO DO MUNDO. Moreira ficou bobo na minha frente. Ele agora admitiu pela primeira vez que seu sonho era ser ATOR, mas faltava fanfarronice pra ele. Faltava elementos pra ele. Que ele queria nascer de novo, só pra ser ATOR, pois, assim, ele poderia usar o EGO dele com ESPLENDOR. Eu bati no ombro dele e disse: "Calma, isso é só um sonho. Vou acordar agora, ok?".

Então eu acordei. Pensei, pensei, pensei. Fui na prateleira e peguei meu guia dos Beatles. Sabia que os Beatles estavam próximos do Amor. Eu sabia. O post de Moreira da família Lennon não me assustou. Eu já conhecia o texto.

Lennon. Família Lennon.

Sem Nome

As vezes eu fico triste sem saber por que. Gustavo Alves não sabe quem é K, ou R, ou B. Ninguém me mandou, nem, um e-mail no meu aniversario. NEM.

Acho que fui meio escroto com o Biolchini. Mas ele mereceu. Mas eu vacilei. Mas no fundo do açaì ele mereceu.

Juca.Neta vai falar que não me conhece, e eu vou ficar puto. D’ailleur, alguém ai està puto com o Rodrigo ?

Eu sou AMOR.

Oi Juca, tudo bom ?

Quer tc ?

Eu moro na Argélia. Bombas, fogos. Nao via o outro lado da rua, quando saì de casa. As vezes, eu fico triste. Mas nesse dia não. A Argélia é legal (eu também quero ser legal…). Eu também quero ser FESTA.

As vezes não sou festa e sei por que. As vezes, queria ficar triste sem saber por que.

Tenho uma amiga alemã. Eu moro na Africa. Na Africa nada funciona. Tudo é nada. E la em casa não é assim. Não, là em casa não.

Eu estava com saudade de vocês e vocês estavam com saudades de mim. Agora, Juca.Neta também terà saudades de mim.

Eu sou legal – ela vai dizer – eu sou legal por que eu quero ser legal.

(Esse eu, sou eu.)

Sem Nome é o nome de todos os meus times nos campeonatos do colégio, do meu antigo colégio. Teve um, que fui artilheiro. Mas isso não tem nada a ver. e ISSO, é a VANGUARDA. Ou não. Mas seja, ou não, jà sendo, PLATEIA!

Eu quero ter Algo a Dizer (.com.br).

Eu não sou FHC!

Eu quero que vocês me amem.

A melhor coisa que a França me dà é saudade do meu paìs.



Saudade pra vocês

A deformada família de Lennon

Instruções para um reality show

“Call me Lennon” (precisa dialogar com o início de Moby Dick: “call me Ishmael”. “Call me Lennon”.). Eu sou JOHN LENNON. Pergunta: quem? Resposta: “Lennon; John, Lennon” (precisa lembrar de “Bond; James, Bond”). Eu sou muito charmoso. Eu sou um Beatle. Precisa notar: eu não fui um Beatle. Eu SOU um Beatle. Isso se dá a-historicamente. AmandAmor é minha irmã. Por conseguinte, ela é LENNON´S SISTER. Ela não faz parte dos Beatles. Nosso filho (barata gigante) incestuoso é Biolchini. L.F é SEAN BIOLCHINI LENNON. Ele é filho de uma união incestuosa. Por conta disso, ele é uma barata gigante. Ele não faz parte dos Beatles. Isso faz dele um adolescente rebelde. Ele queria SER Beatle. Mas ele não é. Por conta disso, ele é uma barata gigante que coloca seu pau no açaí. Imagem: uma barata com um pau cor de açaí. Música (Djavan (precisa lembrar que a capacidade afetiva de Djavan é desumana)): açaí, guardiã, branca é a flor, um imã... Precisa pensar em Kafka: SEAN BIOLCHINI LENNON era uma barata no teto. Nós somos uma família feliz. Nós não somos os Beatles. Nós somos a deformada família de Lennon. Legitimação conceitual: BEATLES = MODERNISMO. FAMÍLIA DEFORMANDA DE LENNON = o modernismo morreu, nós somos modernistas mesmo assim. Eu castro SEAN. LENNON´S SISTER é conivente com o comportamento adolescente de SEAN. Eu digo: Sean, puta que pariu! Que porra é essa? Você não pode colocar seu pau no açaí. Você não é mais um menino. Vou te mandar para o reformatório das baratas. Você será castrado. Nada mais de açaí para você, mister. LENNON´S SISTER responde: não seja tão duro com o menino. Ele está descobrindo sua sexualidade. Ele é uma barata. Nós amamos nosso filho. Nosso filho é uma barata. Pensamos em abortar. Mas decidimos manter o bebê. Nós amamos nosso filho. Nosso filho é uma barata. MAÍRA MATTHES é YOKO. Ela tem ciúme de LENNON´S SISTER. LENNON´S SISTER, entretanto, não tem ciúme dela: ela quer que JOHN tenha uma vida verdadeira. I love you, Yoko. I love you, John. Rodrigo Viegas é uma GROUPIE. Ela fica indo lá em casa. Ela come nossos omeletes SOLARES. A família deformada de LENNON não ama a GROUPIE. A família deformada de LENNON tem uma relação ambígua com a GROUPIE: ela é muito impertinente. A GROUPIE é fã dos BEATLES. Ela, entretanto, nunca entendeu os Beatles direito. Ela diz: John, os Beatles, isso, os Beatles, aquilo... A GROUPIE é muito boba. Ela é bonitinha. Mas ela é muito tola. Por conta disso, YOKO says: John, não agüento mais essa GROUPIE, vindo aqui, toda hora... Essa semana, ela veio três vezes. Ela é muito chata. Ela é muito criança... Não sei como você tem paciência... Ela vem aqui e come nossos omeletes SOLARES. Mas ela não digere, ela não digere... Eu sei, John, eu sei que o seu projeto de ser modernista na impossibilidade do modernismo era esse... Eu sei que o SONHO era esse: tem a groupie fanfarrona dançando pelada e os conceitos de Martin Heideggert... Mas o modernismo morreu. Isso é utópico. Isso teria que ser como o próprio MUNDO. Mas a Internet é o lugar do nicho: você precisa escolher o seu. Essa groupie aí argumenta como uma criançona mimada: “é isso aí e pronto” é sempre o argumento dela, você pode descer até o nível dela e ficar no bate boca, mas se você argumentar, como um PAI, ela não vai ouvir... Ela quer ser SOLAR sem ter a menor capacidade para isso. Aí, ela fica dizendo que você é arrogante, que é isso, que é aquilo, sem nem tentar entender de onde você tirou essa questão do SOL... Logo, John, você precisa proibir que essa groupie venha aqui... De todo jeito, eu achei que ela era ATRIZ. Desde quando ATRIZ tem algo para dizer? ATRIZ precisa seguir instruções de cena e ficar calada. Quando ATRIZ quer ser mais que isso, ela só fala merda. Rodrigo Viegas só falou MERDA desde o início, como Maitê Proença só fala merda... Logo, RODRIGO VIEGAS = MAITÊ PROENÇA. A resposta de JOHN é a seguinte: I love you, Yoko. Você tem razão: a GROUPIE não está entendendo NADA, NADA, a deformação, o SOL, plastic blond beast; ela não está entendendo NADA, NADA... O problema da GROUPIE é que ela ainda não entendeu que para ser ATRIZ, É PRECISO SER ATRIZ DE FILME PORNÔ. É preciso não ter NENHUM EGO. Toda GRANDE ATRIZ É ATRIZ DE FILME DE PORNÔ (precisa pensar naquele funk: eu sou ator, ela é atriz; ator, ator, ator de filme pornô...). A GROUPIE acha que ATRIZ pode escrever, pode argumentar comigo que sou o SOL... Isso implica que RODRIGO VIEGAS = MAITÊ PROENÇA. Não tem nada para escrever e fica achando que tem. Mas ela vai entender. Ela só precisa comer mais OMELETES SOLARES. Oh, Yoko, tenha paciência... Você ainda verá que RODRIGO VIEGAS = BRUNA FERRAZ... JOHN é evidentemente conivente com a GROUPIE. Ela é conivente com a criancice da GROUPIE. Mas a paciência de JOHN tem limite: puta que pariu, essa GROUPIE tá se achando, ela veio aqui em casa, três vezes, essa semana e FATO: só falou MERDA, MERDA; assim, não dá, não dá... Ele pode, como uma explosão, expulsar a GROUPIE de casa. Pior: ele pode virar e falar: 02, pede para sair; pede para sair, 02, se não agir como companheiro, não será tratado como tal, você não está entendendo NADA, NADA, você é INFERIOR, sim, em relação à deformada família de LENNON e tem que ficar calado e aceitar mesmo, porque você é ATRIZ, e se quiser bancar o AUTOR comigo, vai ficar chato para você, ATOR com ego tem mais é que ser destruído... Precisa pensar que tudo ocorre numa mansão. Tipo: the osbournes. JOHN, todavia, de noite é um assassino cruel. De noite, ele se torna MARK CHAPMAN. MARK CHAPMAN trataria essa GROUPIE aí da maneira que ela merece. Mas JOHN é bonzinho. Ele é um autor legal. Cheio de conceitos legais. Ele quer o Amor. Por vezes, ele sente falta de Paul (Kaká) McCartney, de George (Coura) Harrison e de Ringo (Zé)... Mas isso já é assunto para o próximo capítulo.

Amor FC Hard




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

PROMOÇÃO POEMA ORKUT

A idéia foi da Fanfa Vil, mas quem coloca em prática é o SOL.

A idéia é o seguinte: Seja poeta Orkut, você também! Quem escrever o melhor poema Orkut, terá seu poema publicado aqui no Amor F.C. Um post inteiro só para o seu poema Orkut (e todo poema é um poema Orkut). Os interessados devem mandar e-mail para felipegustavomoreira@yahoo.com.br Os poemas serão repassados para os demais membros do blog e faremos uma votação. Para mais informações, ver Instruções para poema Orkut.
Não deixem o Amor morrer, mostrem que vocês estão aí fora, por favor: nós mordemos, mas, depois, nós assopramos.
Estamos precisando de mais Amor aqui.

poxter

Na sala branca eu começo com a perna. Começo a cortar a perna e depois dela, nada mais faz sentido. É melhor desistir, não existe FORMA. Depois da perna, a sala já está suja. As marcas, nunca superarei essas marcas na parede. Um quadro novo. Um dia! Alguém admirará o meu trabalho, um dia, um dia, um dia. Através do gráfico posso ver que os cortes foram certos e que a trajetória do sangue foi a correta. Mas isso não é uma FORMA. As paredes tem carne. Paredes vivas. PA-RE-DE– DO – ES-TÔ-MA-GO. Maestria, mestre dos afetos. Para ser mestre dos seus afetos, pa-ra - ser - mes-tre - dos - meus -a-fe-tos. Cadê a FORMA? É melhor continuar o trabalho. Parte 2: corte meridional do fêmur. Ah não! Acho que atingi o bebê! Não-FORMA, des-FORMA, re-FORMA. FORMA-to de mim. Pedaço de mim.